INTRODUÇÃO
Os cinco primeiros capítulos do Apocalipse apresentam o Cristo da glória no
meio da sua igreja, sondando, corrigindo, exortando e encorajando.
As sete cartas revelam o que as igrejas aparentam ser aos olhos dos homens e o
que de fato elas são aos olhos de Cristo.
Vimos nos capítulos 4 e 5 o Deus criador no trono bem como Cordeiro, o Redentor
sendo igualmente glorificado por todos os seres do Universo. Vimos que o
Cordeiro está com o livro da História nas mãos.
Os capítulos que temos agora apresentarão quadros dos sofrimentos da igreja,
dos juízos divinos sobre os inimigos dela, e do triunfo final de Cristo. Esse
tempo serão as dores de parto. Esse tempo está sujeito à revelação da ira de
Deus.
Os sete selos descrevem movimentos que caracterizarão a era ou dispensação
inteira, desde a ascensão até o regresso glorioso de Cristo. São visões de paz
e de guerra, de fome e de morte, de perseguição à igreja e do juízo de Deus
sobre os seus inimigos.
À medida que os selos são abertos no céu, efeitos tremendos acontecem na terra.
O céu comanda a terra. Jesus abre os selos. Está encarregado de todo o
programa. A história está em suas mãos. Nos primeiros quatro selos vemos a ira
de Deus misturada com graça. Mas a partir do sexto selo, há o derramento da ira
sem mistura de Deus. É o dia do juízo.
Apocalipse 6 é como um texto paralelo de Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21:
Guerras (Mt 24:4,5 e 6:6,7a); fomes (Mt 24:7b e 6:5-8); perseguições (Mt
24:9-25 e 6:9-11); abalos do mundo (Mt 24:29 e 6:12-17); segunda vinda (Mt
24:30-31 e 6:16-17).
8. Aprendemos desse fato quatro verdades:
A. Quem está assentado no Trono e o Cordeiro são adorados por todo o Universo –
A história não está à deriva. Deus reina.
B. Quem tem o Livro tem o controle – É ele quem abre os selos. Dele emana a
ordem dos acontecimentos. O Cordeiro governa!
C. Os eventos do juízo não acontecem sem seu conhecimento, permissão ou
controle - Tudo acontece porque ele conhece, determina, permite e controla. Até
os inimigos estão debaixo da autoridade e do controle do Cordeiro.
D. Todo o universo está sob a autoridade do Cordeiro e serve aos seus
propósitos – É do trono que sai a ordem para os Cavaleiros do Apocalipse. Os
cavaleiros devem dar a largada para dentro da história.
I. OS QUATRO
CAVALEIROS DO APOCALIPSE – V. 1-8
1. O Cavalo Branco,
uma figura do Cristo Vencedor – v. 1-3
a) Adolf Pohl e Warren Wiesbe interpretaram o Cavalo branco e seu cavaleiro
como o Anticristo
• Seu argumento é que o Apocalipse usa imagens duplas para fazer constrastes:
Duas mulheres: a mulher e a prostituta; duas cidades: Jerusalém celeste e
Babilônia; dois personagens sacrificados: O cordeiro e a besta. Assim, o
anticristo estava se contraposto ao Cristo. Assim, o cavalo branco seria uma
inocência encenada, fingida, de uma luz falsa: o anticristo é um deslumbrador.
O anticristo apresenta-se como um pacificador. Ele terá estupendas vitórias.
Ele vai ser aclamado como alguém invencível. Ele vai controlar o mundo inteiro.
O senhorio do Cordeiro é que impele o anticristo a deixar sua posição de
reserva e se manifeste. O diabo gosta de esconder-se. O lobo predador precisa
ser despido de sua pele de ovelha.
b) William Barclay, interpretou o Cavalo branco como as conquistas militares
• As grandes invasões militares do Império Romano conquistando o mundo e depois
dele, outros impérios que se levantaram. O cavalo branco era usado pelo rei
vencedor e o arco um símbolo do poderio militar. Uma conquista militar sempre
traz tragédias.
c) George Ladd interpretou o Cavalo branco como sendo a pregação do Evangelho
em dimensões universais
• Mesmo em meio às terríveis perseguições, o Evangelho tem sido pregado e será
pregado vitoriosamente no mundo inteiro para testemunho a todas as nações (Mt
24:14).
• Sem escolas os cristãos confundiram os letrados rabinos; sem poder político
ou social, mostram-se mais fortes que o Sinédrio; não tendo um sacerdócio,
desafiaram os sacerdotes e o templo; sem um soldado sequer, foram mais
poderosos que as legiões romanas. E foi assim que fincaram a cruz acima da
águia romana.
• Os mártires que morreram, morreram por causa da Palavra de Deus (6:9).
d) William Hendriksen interpretou o Cavalo branco e seu cavaleiro como sendo Jesus
Cristo
1) Sempre que Cristo aparece, Satanás se agita e assim as provas para os filhos
de Deus são iminentes (os cavalos vermelho, preto e amarelo).
2) As palavras só podem aplicar-se a Cristo: BRANCO + COROA + SAIU VENCENDO E
PARA VENCER. Cabelos brancos (1:14), pedrinha branca (2:17), roupas brancas
(3:4,5,18), nuvem branca (14:14), cavalos brancos (19:11,14), trono branco
(20:11). Branco não pode ser usado nem para o diabo nem para o anticristo. Esse
primeiro selo não traz nenhuma maldição.
3) Este texto está de acordo com o texto paralelo de Apocalipse 19:11-16, onde
a descrição é incontroversa.
4) Este texto está de acordo com o tema geral do livro que a vitória de Cristo.
Ele é o Leão da Tribo de Judá que venceu (5:5).
5) A espada do cavaleiro do Cavalo branco está de acordo com Mateus 10:34.
Cristo vence com a Palavra. Vence com o evangelho.
2. O Cavalo Vermelho,
uma figura da perseguição religiosa e da guerra – v. 4
a) Esse cavaleiro do cavalo vermelho representa a perseguição ao povo de
Deus ao longo dos séculos – O futoro será um período de guerras e rumores de
guerras, de conflitos e perseguição até à morte. Perseguição pelos judeus,
pelos romanos, pela inquisição, perseguição na pré-reforma, perseguição na
pós-Reforma (França, Inglaterra). Perseguição no Nazismo, Fascismo e Comunismo.
Perseguições atuais. O maior número de mártires da história aconteceram no
século XX.
b) A idéia da perseguição religiosa é fortalecida pela abertura do quinto selo
– Ali são vistas as almas dos mártires que tombaram pelo testemunho da verdade.
c) Esse cavaleiro tinha uma grande espada – Essa espada machaira era o cutelo
sacrificador. Onde chega Cristo, chega também a perseguição aos que são de
Cristo (Mt 5:10,11; Lc 21:12; At 4:1, 5:17. Pense em Estêvão, Paulo, Policarpo,
Perpétua, Felicidade, a Inquisição, a Noite de São Bartolomeu, a Rússia, a
Coréia do Norte, a China, os países Islâmicos.
d) A paz foi tirada da terra para que os homens se matassem uns aos outros –
Não há paz em parte alguma. O Príncipe da paz foi rejeitado. Há perplexidade
entre as nações. Esse cavalo vermelho descreve um espírito de guerra. A guerra
tem sido uma parte da experiência humana desde que Caim matou Abel. Os homens
perdem a paz e buscam a paz pela guerra. As guerras são insanas porque os
homens se matam em vez de se ajudarem. As guerras são fratricidas. As guerras
estão aumentando em número e em barbárie (as duas guerras mundiais, as guerras
tribais, as guerras étnicas, as guerras religiosas e de interesses econômicos).
No fundo todos são vítimas sacrificadas sobre o altar de Satanás. Com
irracionalidade total investem tudo no armamento e desconhecem o caminho da
paz. Quem não quer viver sob a cruz, viverá sob a espada.
e) Esse cavalo vermelho é um agente do dragão vermelho, que é assassino desde o
princípio (12:3)– A terra está bêbada de sangue e cambaleando pela guerra. Os
homens se tornam loucos, feras bestiais. As atrocidades do Nazismo.
3. O Cavalo Preto, uma
figura da pobreza, escassez e da fome – v. 5-6
a) Esse cavalo preto representa fome, pobreza, opressão e exploração – Fome
e guerra andam juntas. Se a paz é tirada da terra, não poderá haver livremente
comércio nem negócios. O mundo inteiro sofrerá tremendas agitações. Comer pão
pesado representa grande escassez. Há trigo, mas o preço está muito alto. Um
homem precisava trabalhar um dia inteiro para comprar um litro de trigo.
Normalmente ele compraria 12
litros pelo mesmo preço. Esse cavalo fala do
empobrecimento da população. Só pode alimentar a família com cevada, o cereal
que era dado aos animais. O racionamento leva um homem a gastar tudo que ganha
para alimentar-se.
b) Essa pobreza é proveniente dos crentes não fazerem concessões – Não aceitar
a marca da besta e por isso não pode comprar nem vender (13:17), não se corromper,
ao contrário preferir o sofrimento e até a morte à apostasia.
c) A pobreza não atinge a todos – O azeite e o vinho produtos que descrevem
vida regalada não era danificados. Os ricos sempre sabem garantir o seu luxo,
enquanto a população passa fome. No mesmo mundo que reina a fome, reina também
o esbanjamento, o luxo, a desigualdade.
4. O Cavalo Amarelo,
uma figura da morte – v. 7-8
a) A figura da morte e do inferno são pleonásticas, presentam uma única
realiade – O hades sempre vem atrás da morte. A morte derruba e o hades recolhe
os mortos. A morte pede o corpo, enquanto o hades reclama a alma do morto.
b) A morte e o hades não podem fazer o que querem – Eles estão debaixo de
autoridade. Só atuam sob permissão divina. Seu círculo de ação é limitado e seu
território definido: a quarta parte e não mais.
c) A morte usa 4 instrumentos para sacrificar suas vítimas –
1) A espada – Aqui não é machaira, mas rhomphaia, espada comprida usada na
guerra. Aqui trata-se da morte provocada pela guerra.
2) A fome – A fome é subproduto da guerra, cidades sitiadas, falta de
transporte com alimentos.
3) Pestilência ou mortandades – As pragas, as pestilências crescem com a
pobreza, a fome, as guerras.
4) As bestas feras da terra – despedaçam e devoram tudo que encontram.
II. O QUINTO SELO – O
CLAMOR NO CÉU – V. 9-11
1. As almas dos que
morreram pela sua fé estão no céu – v. 9
• Com a abertura do quinto selo muda-se o cenário, da terra passa-se ao céu.
Passamos da causa para o efeito. Essas pessoas foram mortas, mas ainda não
ressuscitaram. Elas foram mortas e a matança prossegue. As almas sobrevivem sem
o corpo e são conscientes. Elas não estão dormindo. Elas não estão no céu. Essa
é nossa gloriosa convicção. Morrer é estar com Cristo. É deixar o corpo e habitar
com o Senhor. É entrar na posse do Reino. A morte não os havia separado de
Deus.
2. Deus não poupou
essas pessoas do martírio, mas deu-lhes poder para morrerem por causa da
Palavra
• Enquanto os falsos crentes vão apostatar, amando o presente século, adorando
o anticristo e apostatando diante da sedução do mundo ou da perseguição do
mundo, os fiéis selarão com o seu sangue o seu testemunho e preferirão a morte
à apostasia.
• Jesus deixou isso claro no sermão profético: “Então vos entregarão à
tribulação, e vos matarão, e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu
nome” (Mt 24:9,10).
• Muitos mártires conhecidos e desconhecidos morreram e ainda morrem por causa
da sua fidelidade a Cristo e sua Palavra (Policarpo, os pastores na Coréia).
3. As almas dos féis
pedem não vingança pessoal, mas a vindicação da glória do Deus santo
• A pergunta delas não é a mesma de Jesus: “Por que?”, mas “Até quando?”. Eles
não perguntam: “SE”, mas “até quando?”. Como conciliar essa pergunta com o
perdão que Cristo ofereceu aos seus algozes na cruz e a atitude de Estêvão com
os seus apedrejadores? O clamor não pede vingança pessoal, mas a vindicação da
justiça divina (Lc 18:7-8). Esse é o clamor da igreja diante dos massacres:
arenas, piras, campos de concentração, prisões, câmaras de gás, fornos
crematórios.
• Não é o próprio grito de lamentação, mas o lamento pela honra de Deus.
4. As almas dos fiéis
recebem vestes brancas, represetando retidão, santidade e alegria
• Estar no céu é bem-aventurança. É glorificação. Não plena ainda porque não
houve a ressurreição, mas incomparavelmente melhor do que estar no corpo (Fp
1:23).
• Os réus e condenados vestiam-se de preto. Eles foram condenados na terra, mas
no céu, Deus os veste de branco. Estão absolvidos, justificados, salvos.
5. As almas dos fíéis
estão descansando, não dormindo até chegar o dia em que se completará o número
dos mártires
• Os crentes estão no céu descansando de suas fadigas. Lá não tem mais dor, nem
pranto nem luto. O dia está determinado. O número está determinado. Até que
esse número não tenha sido completado na terra, o dia do juízo não pode chegar.
O Cordeiro está no controle. Nem um fio de cabelo nosso pode ser tocado sem que
ele permita. Mas, precisamos saber que nos dado a graça não apenas de crer em
Cristo, mas também de sofrer por ele e até de dar a vida por ele (Fp 2:17; 2 Tm
4:6).
• Deus mostra para esses mártires que o seu sacrifício não foi um acidente, mas
um apontamento. Até na morte do seu povo, Deus está no controle. Quando o
inimigo estar ganhando, a igreja o vence, ao se dispor a morrer pela sua fé.
6. Há uma limite para
essa enxurrada de injustiça
• Há um limite para a crescente enxurrada de injustiça, além do qual ela não
prosseguirá. Deus anuncia esse limite intransponível. Trata-se do número
completo dos mártires. Ele não é citado, mas existe. Justamente no momento em
que a violência celebra seus maiores triunfos e apregoa seus mais altos índices
de sucesso, sua ruína torna-se visível. Perseguições aos cristãos amadurecem o
juízo sobre o mundo, apressando o seu fim.
III. O CLAMOR SOBRE A
TERRA – O JUÍZO CHEGOU – V. 12-17
1. O juízo chegou: as
portas da graça estão fechadas, é o dia da ira do Cordeiro
• O sexto selo introduz o dia do juízo. O medo, o terror, o espanto e a
consternação daquele dia se descreve sob dois simbolismos: um universo sendo
sacudido e os homens completamente aterrorizados, tentando se esconder.
2. O juízo chegou: o
próprio universo está abalado – v. 12-14
• O sol, a lua, as estrelas, o céu, os montes, as ilhas = tudo aquilo que se
considerava sólido, firme, está abalado. As vigas de sustentação do universo
estão se desintegrando. A antiga criação está se desintegrando. O céus se
desfarão por crepitoso estrondo. Este é um quadro simbólico do terror do dia do
juízo. O simbolismo inteiro nos ensina uma só lição, a saber, que será
verdadeiramente terrível a efusão final e completa da ira de Deus sobre um
mundo que tem perseguido a igreja.
• Esse momento virá repentinamente – Será como o ladrão de noite. Os homens desmaiarão
de terror.
3. O juízo chegou: os
homens estão em profundo desespero – v. 15-17
• Há seis classes de pessoas descritas também, da mesma forma, que tinha seis
classes de elementos abalados: reis, grandes, comandantes, ricos, poderosos,
escravo e livre. João vêm nesse imagem do terror universal: todos os ímpios
sobressaltados de um repentino terror, tentando fugir e se esconder do Deus
irado.
• Os homens estão buscando um lugar para se esconder – Mas para onde o homem
pode fugir e se esconder de Deus? Deus está em toda parte. Para ele luz e
trevas são a mesma cousa. O primeiro instinto do pecado se esconder.
• De que estão fugindo? Dos montes que estão se desmanchando? Do Universo que
está em convulsão? Não, há algo mais terrível: eles estão fugindo do Deus
irado.
• Eles buscam a morte, mas não os pode esconder da ira do Cordeiro – O maior
temor do pecador não é a morte, mas a manifestação plena da presença de Deus. O
aspecto mais terrível do pecado é que converte o homem num fugitivo de Deus.
Mas agora, nem caverna, nem a morte pode escondê-los desse encontro com Deus. O
tempo da graça acabou. Aqueles que não buscaram a graça, encontrarão
inexoravelmente a ira de Deus. A porta está fechada. Agora é o juízo!
• Posição, riqueza, poder político – Absolutamente nada pode evitar que os
homens enfrentem o Tribunal de Cristo. Importa que todos compareçam perante o
tribunal de Cristo.
CONCLUSÃO
• O dia do juízo se aproxima. Mas hoje ainda é o dia aceitável. Ainda você pode
se voltar para Deus e encontrar perdão. Você quer vir a Cristo nesta noite?
Você está preparado para encontrar com Cristo?
• Você já está disposto a enfrentar perseguição, pobreza, espada, fome e a
própria morte por amor a Cristo e sua Palavra?
• O dia do Senhor será dia de luz ou de trevas para você?
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Maique de Souza Borges, é teólogo, estudante e amante da música sacra. Membro da Igreja Assembleia de Deus em Brasília, casado e pai de um filho. Tem interesse especial pela História da Igreja. É o criador do site Cooperadores do Evangelho. Profissionalmente atua no ramo farmacêutico e brinca de músico e programador nas horas vagas.
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